quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Como analisar a coesão

Inúmeras formas de analisar as relações coesivas foram estudadas. Veremos algumas.

A coesão textual linear dependem de cinco categorias:

1) referência

o signo linguístico se relaciona a um objeto extralinguístico:

1.1) situacional ou exofórica
1.2) textual ou endofórica

1.2.1) anafórica: o item de referência retoma um signo já expresso no texto.
1.2.2) catafórica: o item de referência antecipa um signo ainda não expresso.

Tipos de referência

- Pessoal - pronomes pessoais e demonstrativos;
- Demonstrativa - pronomes demonstrativos e advérbios de lugar;
- Comparativa - via indireta, por meio de identidades ou similares.

2) substituição
- colocação de um item no lugar de outro.

2.1) nominal - pronomes pessoais, numerais, pronomes indefinidos, nomes genéricos;
2.2) verbal - "fazer" (substitutivo causativo) e "ser" (substitutivo existencial).

3) elipse
- omissão de um elemento lexical presente no contexto:

3.1) nominal
3.2) verbal
3.3) oracional

4) conjunção
- coesivos em virtude da relação que estabelecem entre orações, períodos e parágrafos.

Principais elementos conjuntivos:
a) advérbios e locuções adverbiais;
b) conjunções e locuções conjuntivas;
c) preposição e locuções prepositivas;
d) itens continuativos (oralidade).

Observação: Cuidado com a omissão dos elementos conectivos, pois podem causar ambiguidade prejudicando a comunicacional.

5) léxico
- reiteração de itens lexicais idênticos ou que possuem referente;
- limite entre a coesão lexical e a coesão gramatical;
- referência anafórica - hiperônimos e hipônimos;
- colocação/associação.

A proposta de Halliday e Hasan
a) apresenta alguns questionamentos quanto a referência, a substituição e a elipse (relação significado/resultado).
b) as palavras estão ligadas entre si dentro de  uma sequência.
c) coesão lexical/referência.


Marcuschi 

Baseou-se na teoria de Beaugrande e Dressler e sem preocupação classificatória.

Apresenta quatro grupos de conexão sequencial:

a) Repetidores - recorrência, paralelismo e definitivação;
b) Substituidores - paráfrase, pro-forma, pronominalização e elipse;
c) Sequenciadores - Tempo, aspecto, disjunção, conjunção, contrajunção, subordinação e tema-rema;
d) Moduladores - entoação e modalidades.

Mira Mateus et alii

Apresenta a Gramática como podendo ser gramatical e lexical:
a) frásica;
b) interfrásica;
c) temporal;
d) referencial (substituição e elipse).

Fávero e Kock

Classificação da Coesão:
- referencial: referência, elipse e definitização;
- lexical: reiteração e substituição;
- sequencial: temporal e conjunção.




FÁVERO, Leonor Lopes. Coesão e Coerência Textuais.
Série Princípios. 9ª Ed. 2002. Ed. Ática.




Claudemir Oliveira Ribeiro
Professor deLíngua Portuguesa
e Técnicas de Redação
Psicopedagogo Institucional e Clínico


quarta-feira, 31 de julho de 2019

Coesão e Coerência: devem-se distinguir?

Coesão e coerência: dois fatores importantes da textualidade

- Há autores que distinguem dois níveis de análise: coerência e coesão.
- Há autores que não distinguem;
- Há autores que fazem referência a apenas um dos fenômenos.


"O que nos permite determinar se uma sentença palavras constituem um texto são as relações coesivas." (Halliday e Hassan, 1976)

"O texto é formado pela relação semântica de coesão." (Favero, p. 2)

A coesão pode ocorrer na relação entre os termos de uma oração se fazendo uso da coesão. Exemplo:

Estou lavando seis frutas. Elas serão a sobremesa do nosso almoço.

seis frutas = elas
                 ↪ Relação de Coesão

Coesão: Relação de sentido entre os enunciados que compõem o texto.

Interpretação do primeiro termo ⇔ interpretação do segundo termo.

Três níveis da organização linguística

a) Semântico (signifcado)
b) léxico-gramatical (formal)
c) fonológico-ortográfico (expressão)


A coesão (elementos que "costuram", "interligam" elementos do texto) é obtida por meio da gramática e, parcialmente, do texto.

1) Hasan e Halliday

a) complementar a noção de coesão;
b)  coesão ⇔ registro;
c) configurações semânticas ⇔ definem substância do texto;
d) texto no seu significado mais amplo (social, expressivo, comunicativo, representacional etc).

2) Isemberg (linguista alemão, Academia de Ciências de Berlim - centro de gramática gerativas)

- Fundamentar sua gramática textual (teoria-padrão gerativa - estudo do texto e não do enunciado);

a) âmbito da estrutura textual (considerados fatores de coesão)
- anáfora;
- seleção de artigos;
- pronominalização;
- elementos pro-adverbiais;
- sucessão dos tempos.

b) enunciados assindeticamente conjugado (considerados fatores de coerência)
- conexão casual;
- conexão de motivos;
- tematização de objetos novos.

3) Weinrich
- estuda aspectos para a elaboração da macrossintaxe;
- sixtaxe dos artigos e dos tempos verbais;
- distribuição do artigo como aspecto importante da estrutura sígnica textual;
- compreensão de mais signos do texto;
- tempos verbais:
     - mundo comentado;
     - mundo narrado.

Obs.: Artigos e Verbos são incluídos como elementos de coesão.

4) Beaugrande e Dressler (1981)
- consideram constituírem a coesão e a coerência níveis diferentes de análise;

coesão - microtextual (palavras ligadas entre si);
coerência - macrotextual (componentes do universo textual/resultado do processo cognitivo);

"Coesão e coerência constituem fenômenos distintos" (Fávero)


  • sequência coesiva, sem condições de formar um texto;
  • textos destituídos de coesão, porém há nível de coerência;

a) retomada de elementos não é condição necessária para coerência;
b) a coerência se dá numa ordem hierárquica (pluridimensional);
c) a coerência não é independente do contexto pragmático.





FÁVERO, Leonor Lopes. Coesão e Coerência Textuais.
Série Princípios. 9ª Ed. 2002. Ed. Ática.





Claudemir Oliveira Ribeiro
Professor deLíngua Portuguesa
e Técnicas de Redação
Psicopedagogo Institucional e Clínico



terça-feira, 16 de julho de 2019

Falar e escrever são duas tarefas árduas e complexas.

Quando falamos, estamos presos a complexidade do discurso; Quando escrevemos, deparamo-nos com uma contradição: a linearidade do pensamento e o interlocutor ausente.

É necessário, quando escrevemos, imaginar todos os tipos imaginários de leitores, por isso é necessário planejar e organizar o seu discurso antes de registrá-lo no papel.

Há uma necessidade de escolha:
- Assunto;
- Ideias;
- Processo;
- Conteúdos históricos;
- Conteúdos sociais;
- Experiências pessoais;
- Perspectivas;
- Critérios para diferenciar seu texto de outros textos sobre o mesmo assunto.

Para entendermos sobre esse processo amplo, continuaremos a compreender o processo de letramento.
a) a reflexão sobre letramento é ampla;
b) é estudada em vários técnicos sob vários focos;
c) tomada de consciência ente os linguistas;
d) objeto que vai além da alfabetização;

Em função dos vários focos de estudo, observou-se uma conceituação complicada. Assim, Leda V. Tfouni, explica que "letramento, é um processo, cuja natureza é sócio-histórica." A autora, com essa fala, se opõe, a concepções atuais também em uso.

É necessário entendermos que letramento não pode ser interpretado como sinônimo de alfabetização.

1) Perspectiva individualista-restritiva
- voltada para a aquisição da leitura/escrita;
- aquisição escrita quanto código;
- escolarização;
- ensino formal;
- aprendizado de habilidades específicas: alfabeto (letra/som);

Observamos que nesta perspectiva confunde-se letramento com alfabetização, isto é, habilidade de ler e escrever está para escolarização e seu sucesso.

2) Perspectiva tecnológica
- produto com seus usos em contextos altamente sofisticados;
- visão dos usos de leitura e escrita é positiva;
- progresso da civilização;
- desenvolvimento tecnológico.

Habilidade de compreender os textos escritos, informação compartilhada, informação.

3) Perspectiva cognitivista
- enfativa o aprendizado / atividades mentais;
- indivíduo é o elemento mais importante na aquisição da escrita como processo;
- conhecimento e aprendizagem partem do indivíduo.

Enfatiza as habilidades, as experências e as intenções de crianças numa situação comunicativa.

"Não importa a perspectiva: a ênfase é sempre colocada nas "práticas", "habilidades", "conhecimentos", sempre voltados para a codificação/decodificação." (Letramento e Alfabetização, p. 33).

Se nossa preocupação for focalizar o produto, tanto no ponto de vista individual quanto no social, a nossa prática sempre será de leitura/escrita. Assim, as pessoas letradas seriam todas aquelas que sabem ler e escrever - pessoas alfabetizadas e escolarizadas. E "iletrado" são os indivíduos "analfabetos".

Podemos dizer que a aquisição da escrita traz mudança radical nas modalidades de comunicação na sociedade (cultural, social, contextualização).

Modelo autônomo do letramento
- definido com atividade voltada aos textos escritos;4
- o desenvolvimento é visto de maneira unidirecional;
- o letramento é causa (escolarização);
- letramento - progesso (civilização, tecnologia, liberdade individual, mobilidade social);  
- diferenciar as funções lógicas da linguagem;



TFOUNI, Leda Verdiani. LETRAMENTO
E ALFABETIZAÇÃO. 2ª edição.
Editora Cortez.


Claudemir Oliveira Ribeiro
Língua Portuguesa e Técnicas de Redação
Psicopedagogo Institucional e Clínico

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Escrita - Alfabetização - Letramento

A escrita, a alfabetização e o letramento são ligados entre si, ou seja, uma relação de processo e produto.
escrita - produto cultural;
alfabetização e letramento - processo de aquisição da escrita.

Alfabetização > aquisição da escrita (habilidades para a leitura e escrita) > práticas da linguagem;

Letramento > aquisição da escrita (adoção do sistema de escrita) > investigação o alfabetizado e o não alfabetizado;

ESCRITA

1) Contexto histórico

- data cerca de 5000 a.C.: difusão e adoção da escrita;
- nasceu na Mesopotâmia;
- Grécia: maior povo letrado;
- códigos escritos criados pelo homem:
a) pictografia;
b) ideografia ou fonética.
- representação do pensamento e sons;
- sinônimo de poder e dominação;
- produto cultural;
- atividade humana;
- não é casual;
- garantia de poder.

2) Finalidade da escrita:

- difundir ideias;
- ocultar ideias;
- ilustração de ideias;
- controle das ideias (texto);
- neutralidade;
- sofisticação da comunicação.

3) Características da escrita:

- dominação / poder;
- participação / exclusão;
- relação social e desenvolvimento cognitivo e cultural;
- exprime transformações culturais e político-sociais;
- pensamento lógico;
- poder intelectual;
- representa o desenvolvimento científico, tecnológico e psicossocial da sociedade;
- caracterizada por uma ênfase em regras.

ALFABETIZAÇÃO

1) Processo de aquisição individual de habilidades para a leitura e escrita;

Características da alfabetização:

- não possui um fim;
- incompletude;
- necessidade de controle da escolarização;
- instrução formal;
- produzir - decodificar - compreender - a escrita;
- a leitura e a escrita é a execução de práticas que constituem a cultura;

Ponto de vista sociointeracionista:

- processo individual;
- não se completa nunca;
- contínuo processo de mudança;
- atualização individual;
- mudança constante;

Importante!!!

- a alfabetização é medida pela habilidade de ler e escrever;
- primeiro contato com a linguagem se dá no ambiente familiar;
- o ato de alfabetizar passa a existir no ambiente escolar;
- enfatiza o domínio de regras gramaticais;

2) Processo de representação de objetos diversos de naturezas diferentes.

- a escrita não é um código de transcrição gráfica dos fonemas;
- representação que evolui historicamente;
- o ensino de leitura/escrita não se resume a codificar e decodificar símbolos;
- ênfase aos aspectos construtivos durante a alfabetização;
- relação de interdependência entre leitura/escrita;
- aquisição da linguagem escrita;

LETRAMENTO

O foco do letramento são aspectos sócio-históricos da aquisição do sistema "escrita/leitura" por uma sociedade:

- o estudo do letramento não se restringe às pessoas alfabetizadas;
- investiga as consequências da falta da escrita individualmente;
- a ausência e a presença da escrita numa sociedade;
- a influência da "leitura/escrita" na transformação social, cultural e psicológica;
- elaboração do processo "leitura/escrita" de forma mais sofisticada (raciocínio, memória, resolução de problemas etc.);
- observação do letramento e sua influência: classes dominantes e classes subalternas;
- estuda-se graus de letramento;
- "letrado" - mentalidade/cultura/estrutura social;
- alfabetização e letramento são processos interligados, porém distintos;



TFOUNI, Leda Verdiani. LETRAMENTO
E ALFABETIZAÇÃO. 2ª edição.
Editora Cortez.


Claudemir Oliveira Ribeiro
Professor de Língua Portuguesa
e Técnicas de Leitura
Psicopedagogo Institucional e Clínico






segunda-feira, 27 de maio de 2019

Uso da vírgula



Uso da vírgula (   ,   )

                Muitas pessoas aprenderam, em sua vida escolar, que a vírgula é um sinal de pontuação usado para indicar a respiração do leitor de um texto. Esta é uma informação equivocada sobre o valor gráfico da “vírgula”. Hoje, é importante compreender que esse pequeno sinal de pontuação influencia na compreensão do texto e ideia a ser transmitida pelo emissor.
                Vamos compreender quando e como a vírgula é usada e o porquê!

a)       A vírgula é utilizada em topônimos, isto é, em um cabeçalho de correspondências e determinados documentos; ela separa o local e a data onde o documento foi escrito ou teve origem.

Exemplo: Barueri, 27 de maio de 2019.

b)      A vírgula é usada para separar os elementos de uma lista de mesmo valor gramatical.

Exemplo: João foi ao mercado e comprou batata, cenoura, mandioca, vagem, pepino e abóbora.

c)       A vírgula é usada para separar o vocativo da mensagem que o emissor gostaria que o receptor tenha maior atenção.

Exemplo: João, você comprou os legumes que te pedi?

d)      A vírgula é usada para separar o aposto (uma explicação sobre um termo contido na oração).

Exemplo: João, neto do Seu Nicolau, esqueceu de comprar beterraba.

e)      A vírgula é usada para separar e identificar os termos que foram deslocados em uma oração. Geralmente, ocorrem com os adjuntos adverbiais.

Exemplo: Era uma vez, um menino chamado João que foi ao mercado comprar legumes para Dona Doroteia.

f)        Nos períodos compostos (formados por duas ou mais orações), a vírgula é usada para separar orações coordenadas assindéticas (ausência de conjunção).

Exemplo: João acordava cedo, ia ao mercado, brincava todas as tardes.

g)       Nos períodos compostos (formados por duas ou mais orações), a vírgula é usada para separar orações coordenadas sindéticas (apresentam conjunção).

Exemplos:
Ou João trabalhava, ou João brincava.
João estudou para a prova, logo tirou nota dez.
João era muito inteligente, pois estudava muito.
João estudou muito, porém não foi bem na prova.

h)      Usamos a vírgula para isolar expressões que têm função explicativa, corretiva ou continuativas.

Exemplos:
João era um bom aluno, ou melhor, excelente aluno.
Pretendo que João seja alguém na vida, isto é, tenha um bom estudo.

i)        A vírgula tem imenso valor para separar os termos de uma oração na ordem inversa ou em casos de termos intercalados.
Exemplo:
Comprou muitos brinquedos, aquela senhora chamada Doroteia.
Alguns seres humanos, atualmente, o seu semelhante, não valorizam.

j)        A vírgula é usada para isolar os elementos pleonásticos de uma oração.

Exemplo:
Aos políticos, por que não cobrá-los?

k)       A vírgula é usada na indicação de elipse (ausência de palavra ou termo) na segunda oração de um período composto.

Exemplo: Todos os alunos estavam trajados de branco; Maria, de preto.

l)        A vírgula é usada em orações subordinadas adjetivas explicativas.

Exemplo: Senhor Nicolau, que era meu funcionário mais antigo, aposentou-se ontem.

m)    A vírgula é utilizada em orações subordinadas adverbiais escritas na ordem inversa inversas.

Exemplo: Ao chegar em casa, fui surpreendido com uma festa surpresa.





Claudemir Oliveira Ribeiro
Professor de Língua Portuguesa
e Técnicas de Redação
Psicopedagogo Intitucional e Clínico




A Tradição Retórica


2 - A TRADIÇÃO RETÓRICA

Falar em persuasão é retomar o discurso clássico: formulações que marcaram os estudos da linguagem. Recupera-se o espaço cultural e linguístico do mundo clássico, isto é a preocupação com o domínio da expressão verbal que nasceu com os gregos; pois ao grego cabia manejar com habilidade as formas de argumentação para praticar certos conceitos de democracia.
Nomes que ficaram conhecidos pela habilidade com que encaminhavam suas lógicas argumentativas:
a)       Demóstenes
b)      Quintiliano
c)       Górgias

Na Grécia Clássica, houve as elevadas preocupações com o discurso e disciplinas que promovessem o domínio da palavra:
a)       Eloquência;
b)      Gramática;
c)       Retórica (disciplina responsável por buscar tal harmonia ao gosto da cultura clássica).

O falar devia ser bem ao gosto da cultura clássica:
a)       Convincente e elegante;
b)      Unir arte e espírito.

Neste momento, a linguagem deixa de ser estudada como linguagem e passa a ser estudada como discurso; e a retórica mostraria o modo de constituir a palavra com o objetivo de convencer o receptor.
A partir dos séculos XVIII e XIX, a retórica deixa de ter um caráter do discurso e passa a ter um caráter de embelezamento do discurso, o que podemos chamar de caráter pejorativo.
Para certas camadas sociais, a retórica era o domínio de regras e normas da argumentação, o exercício do poder.
Podemos destacar três pensadores gregos da época: Sócrates e Platão – escrevem sobre a retórica – e Aristóteles – o discurso é estudado em sua estrutura e função.

A retórica hoje é trazida como elementos:
a)       De Gramática;
b)      Da Lógica;
c)       Da Filosofia da linguagem;
d)      Da Filosofia da estilística.

Para Aristóteles, a retórica tem algo de ciência (objetivo e método) para se produzir a persuasão. “Retórica é a faculdade de ver teoricamente o que, em cada caso, pode ser capaz de gerar a persuasão.”
Podemos deduzir:
a)       A retórica não é persuasão;
b)      A retórica pode revelar como se faz persuasão;
c)       A retórica é analítica;
d)      A retórica é uma espécie de lei das leis, acima do compromisso persuasivo.

A retórica entra no mérito como o que está sendo dito o é de modo eficiente. Por sua vez, a eficácia implica:
a)       Domínio de processo;
b)      Domínio de formas;
c)       Instâncias;
d)      Modos de argumentar.

Regras gerais a serem aplicadas nos discursos persuasivos, segundo Aristóteles:
1)      Exórdio: começo do discurso;
2)      Narração: próprio assunto, onde fatos de desenvolvem, os eventos indicados;
3)      Provas: Se o discurso haverá que ser persuasivo, serão elementos sustentadores da argumentação;
4)      Peroração: é o epílogo, a conclusão.

Persuadir é sinônimo de submeter: vertente autoritária. “Quem persuade leva o outro à aceitação de uma dada ideia. É aquele irônico conselho que está embutido na própria etimologia da palavra: per + suadere = aconselhar.” (Linguagem e persuasão, p. 13).

“Verossímil é, pois, aquilo que constitui em verdade a partir de sua própria lógica. Daí a necessidade, para se construir o “efeito de verdade”, da existência de argumentos, provas, perorações, exórdios, conformes certas proposições já formuladas por Aristóteles na Arte Retórica. Persuadir não é apenas sinônimo de enganar, mas também o resultado de certa organização do discurso que o constitui como verdadeiro para o receptor.” (Linguagem e Persuasão, p. 14)

Com o passar do tempo, a retórica teve alterada a maneira como foi observada pelos estudiosos, de organização do discurso e com a persuasão, no século XVIII, passou a ser observada como a ideia de embelezamento do texto, no final do século XIX.

A partir daí, a retórica passou a produzir mecanismos de expressão que tornassem o texto mais bonito, um exemplo disso podemos destacar os textos parnasianos.

Com certeza, este papel está vinculado ao estudo das figuras de linguagem (embelezamento do texto) e o das técnicas de argumentação (inúmeros processos de articulação do raciocínio textuais).

Raciocínios discursivos:
a)       Raciocínio apodídico – tom da verdade inquestionável;
b)      Raciocínio implícito – o caráter imperativo do verbo torna indiscutível o enunciado;
c)       Raciocínio dialético – busca quebrar a inflexibilidade do raciocínio apodídico;

Figuras de linguagem:
a)       as figuras de retórica são recursos para prender a atenção do receptor;
b)      cumprem a função de redefinir uma informação;
c)       criar efeitos novos para prender a atenção do receptor;
d)      são expressões de teor figurativos;

Figuras mais usadas:
a)       metáfora;
b)      metonímia.



FIORIM, José Luiz. A tradição retórica. 
LINGUAGEM E PERSUASÃO. 5ª edição. Ed. Ática.






Claudemir Oliveira Ribeiro
Professor de Língua Portuguesa e
Técnicas de Redação
Psicopedagogo Institucional e Clínico

sábado, 18 de maio de 2019

Informação sem persuasão?

"Mas devemos defender-nos de toda palavra,
toda linguagem que nos desfigure o mundo,
que nos separe das criaturas humanas,
que nos afaste das raízes da vida."
(Érico Veríssimo)

A revista americana Newsweek se fazia anunciar como aquela que não persuadia, mas informava.

A revista parecia desejosa em:
- convencer-nos acerca do conhecido mito da neutralidade jornalística;
- desmistificar um demônio que vincula à persuasão alguns qualificativos:
a) fraude;
b) engodo;
c) mentira.

É necessário deixar claro:
- uma atitude antipersuasiva objetiva fixar uma imagem de credibilidade e respeitabilidade.
- o mais profundo aferramento aos princípios de uma informação incontaminada pela presença de interesses vários.

Pergunta-se: Estaria ela isenta do ato persuasivo?
A resposta é não. O próprio slogan da revista já nos remete a ideia de que estamos diante de um veículo marcado: 
a) correção;
b) honestidade.

Na relação emissor - receptor, o mais importante é PERSSUADIR.
Isso nos revela graus de persuasão:
a) alguns mais ou menos visíveis;
b) alguns mais ou menos mascarados.
c) é possível afirmar que o elemento persuasivo está colado ao discurso.

É possível rastrear organizações discursivas que escapem à persuasão:
a) a arte;
b) manifestações literárias;
c) jogos verbais;
d) textos marcados por elementos lúdicos.

Nossa pretensão:
a) levantar questões pelo discurso persuasivo;
b) situar a história da persuasão;
c) revelar situações do mecanismo persuasivos no discurso verbal.



CITELLI, Adilson. Lingugem e Persuasão. 10ª edição. Ed. Ática. Série Princípios.



Claudemir Oliveira Ribeiro
Língua Portuguesa e Leitura
e Produção de Textos
Psicopedagogia Institucional e Clínica

O TEXTO E SUAS MODALIDADES

DEFINIÇÃO DO TERMO TEXTO - Texto designa um enunciado qualquer, oral ou escrito, longo ou breve, antigo ou moderno. - Concretiza-se...